16/06/2017

Plataforma


Cheguei à estação de metro do trabalho. Ainda tenho tempo.
Deixo-me ficar na plataforma, está fresco e, num dia como o de hoje, isso é uma benção.
Aqui fico, inerte, invisível... Todos seguem seus caminhos, decididos, orientados. Seguem a vida como se de um diagrama do metro se tratasse. Os comboios a apanhar são normalmente​ por esta ordem, estudo, carreira, namoro, casamento, família... Se por qualquer motivo não é assim, achamos que há algo de errado, não com o mundo, mas connosco. E vem uma verdade apetecível.
 "Para sua segurança não entre nem saia do comboio após o aviso sonoro de portas."
O melhor é não entrar não vá ter dado o aviso e estar distraída. Não vá o comboio andar e não me levar ao destino pretendido. E se ainda assim, ousar fazer uma viagem todo o cuidado é pouco. E se este comboio for contra aquilo que construí? E se este comboio não me traz o que preciso? E se este comboio for ainda melhor do que idealizei... Como discernir? Como prever? Como viver?

"Proteja os seus bens. Tenha atenção à entrada e saída do comboio​."

Tenho que ir trabalhar... Não vá esta crise de meia idade durar a tarde toda.

14/06/2017

II Cartas a Sofia

(resposta à carta da Sofia)

Lembro-me do domingo de dilúvio, não tinha festa há mais de vinte anos. O meu interior flamejava. Queria ajuda, sou ótima a boicotar as minhas escolhas. É mesmo como dizes: "Fome e sede." E eu sem saber o que fazer. O que escolher. Por quê escolher?

O poema que te trago foi o primeiro que conheci de Daniel Faria
em Homens Que São Como Lugares Mal Situados (1998)

As mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões
E muitas transformam-se em árvores cheias de ninhos - digo,
As mulheres - ainda que as casas apresentem os telhados inclinados
Ao peso dos pássaros que se abrigam.

É à janela dos filhos que as mulheres respiram
Sentadas nos degraus olhando para eles e muitas
Transformam-se em escadas

Muitas mulheres transformam-se em paisagens
Em árvores cheias de crianças trepando que se penduram
Nos ramos - no pescoço das mães - ainda que as árvores irradiem
Cheias de rebentos

As mulheres aspiram para dentro
E geram continuamente. Transformam-se em pomares.
Elas arrumam a casa
Elas põem a mesa
Ao redor do coração.

A música que partilho é esta:
Blossom Dearie -- Try Your Wings
Eu que me recuso a usar estas asas...

09/06/2017

9 de junho de 2017

O início de uma nova era.

06/06/2017

I Cartas a Sofia

Querida Sofia,

Partilhaste no outro dia no teu instagram esta imagem:

E lancei-te um desafio: um poema e uma música por semana. Uma partilha, uma carta, para manter ativas partes do cérebro e do coração. Começo com um dos meus poemas preferidos.

Ternura 
Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada…
Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio…
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo…
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

David Mourão-Ferreira

E a tua música está aqui: Little Joy - Brand New Start

Beijinhos,
LucieLu


01/06/2017

1 SECOND EVERYDAY - Maio 2017


Destaques:
- Sessão com uma família bonita;
- Charlie dentro e fora da barriga;
- Encontro de Bloggers;
- Aniversário da Marina;
- Dois espetáculos este mês;
- Um brunch com as amigas.

Tantas memórias! Maio trataste-me bem!

*dia 15 de maio... esqueci-me!

1SE - 1 SECOND EVERYDAY
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